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  • Limites reais com os filhos

    27 jul 2017 | Postado em: Blog | Por: revistatravessura

    Muitos pais já nos relataram que quando ainda não eram pai ou mãe, colocar limite nas crianças, nos filhos dos amigos, sobrinhos, afilhados e tal era muito fácil, mas  quando vivenciaram a realidade, perceberam que não é simples assim. Já passaram por isso? Existem vários artigos científicos e livros com o tema “Limites”, mas conseguir colocar tudo em prática, nem sempre é possível. Os estudos são baseados em evidências, mas também precisamos levar em consideração todo o contexto em que o comportamento da criança está envolvido, bem como o humor (da criança e dos pais) e quais são as consequências desses comportamentos.

    Ao colocar limites, regras ou educar os filhos, primeiramente precisamos compreender quais são os valores que queremos passar para a criança e se o que estou exigindo dela é coerente com minhas ações e se ela é capaz de realizar. Conhecer um pouco sobre o desenvolvimento infantil é importantíssimo para não cobrarmos delas aquilo que neurobiologicamente não é possível. Como não podemos exigir que a criança corra antes que aprenda a andar, também não podemos exigir que ela se comporte de determinada maneira sendo que seu cérebro ainda não é capaz de absorver as informações e se comportar coerentemente com aquilo que nós, adultos, queremos.

    É importante não confundirmos estabelecimentos de limites com excesso de autoritarismo. Todos nós crescemos escutando vários “nãos”: “Não corra!”; “Não pule!”; “Não faça isso!” e poucas vezes escutamos o que realmente deveríamos fazer. Então, uma forma bem eficiente para fazer com que as crianças respeitem os limites e cumpram o que esperamos delas é transformar o “Não faça!” em “Faça!”. Como fazer isso? É bem mais coerente para a criança ouvir “Ande devagar, não estamos com pressa!” do que ouvir “Pare de correr, você vai cair!” ou “Brinque no chão!” ao invés de “Pare de pular no sofá!”. Quando falamos para a criança o que queremos que ela faça, criamos uma imagem mental e é mais fácil dela seguir a ordem, porque ela sabe o que precisa fazer. Se você apenas disser “Pare de pular no sofá!” ou “Pare de correr!” o que você espera que ela faça depois disso? Talvez seu filho não te obedeça da primeira ou da terceira vez que falar com ele, isso é normal. Crianças precisam testar os limites (e também a paciência dos pais), elas estão em uma fase que aprendem pelas experiências e não apenas pelas informações, portanto, ao pedir para seu filho fazer determinada coisa, ajude-o a fazer, pegue-o pela mão e ajude a descer do sofá enquanto fala “Brinque no chão!”. Olhe para ele, fale em tom de voz agradável, essas experiências são melhor internalizadas quando há afeto e cuidado envolvido.

    Crianças maiores, a partir dos 6 anos de idade, são capazes de seguir regras já pré-estabelecidas, portanto, é importante que ela saiba como deve se comportar, desde que isso seja dito de forma clara. Uma atividade muito bacana de se fazer é criar um quadro de regras junto com a criança, mostrando para ela que determinados comportamentos não são aceitáveis e perguntando a ela o que seria possível fazer para que tudo fique mais harmonioso. Quando perguntamos como elas podem resolver esses problemas, criamos espaços para a criatividade, para a resolução de problemas, para o treino de habilidades sociais e ampliamos o repertório comportamental delas. Caso os combinados não sejam cumpridos, uma punição (punição é diferente de agressão, não vamos confundir) pode ser dada, e as crianças também podem participar do estabelecimento delas quando estiverem construindo o quadro de regras. Por exemplo: Dever de casa às 18h e videogame às 19h. Caso não seja cumprida, fica sem o videogame no dia seguinte.

    Fiquem atentos também ao castigo, pois não basta apenas castigar, é necessário fazer com que a criança entenda o que ocorreu. Converse com ela sobre a situação e pergunte o que ela pode fazer da próxima vez para que o castigo não ocorra. Quando pedimos à criança para relatar o problema, a punição e o que ela pode fazer da próxima vez, ou seja, a solucionar o problema, estamos criando no cérebro novos caminhos que favorecerão o novo aprendizado.

    Todas as crianças precisam receber limites para se desenvolverem de forma adequada. Os limites dão a elas espaço para o crescimento, para o desenvolvimento da criatividade, para estabelecimento de relações saudáveis e para se sentirem seguras. Sendo assim, os limites colocados na infância são a base para relacionamentos saudáveis na vida adulta. A tarefa não é fácil, mas é possível, basta dedicação e carinho! Então, mãos à obra?

    Deivid Sampaio e Juliana Ventura, Psicólogos da Infância e Adolescência

     

     

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