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  • Acabou a licença maternidade. E agora?

    18 set 2017 | Postado em: Blog | Por: revistatravessura

    Inúmeras vezes, aqui no DIÁRIO DE MÃE, eu já falei sobre o quanto é difícil conciliar a maternidade com a vida profissional. Muitas mães conseguem organizar a vida da família de modo a continuarem em casa após o parto, mas não é o meu caso. Eu às vezes até penso que gostaria de ser uma mãe em tempo integral. No entanto, sei o quanto trabalhar me faz bem. E ter o meu dinheiro, a minha independência financeira, a minha vida “fora do ninho” faz diferença na minha autoestima.

    Ao mesmo tempo, só de pensar em voltar a trabalhar depois de meses agarrada com meu bebê, eu já estava sofrendo. Eu pensava: “que sentido faz deixar essa coisinha deliciosa aqui aos cuidados de outra pessoa enquanto eu saio para trabalhar? Que troca injusta é essa?”. Precisei marcar uma consulta com minha psicóloga especialmente para me preparar para o momento da separação. Trocando em miúdos, o resumo da consulta foi: para o bebê ficar feliz, a mamãe tem que estar feliz. Então vamos deixar de lado o sofrimento, a angústia e a ansiedade da separação e focar no quanto o trabalho é importante e no quanto ele, no fim das contas, me faz bem.

    Voltei ao trabalho quando Gabriel estava com três meses e meio. Além de estar inaugurando uma nova rotina, eu estava iniciando uma nova carreira, já que troquei de emprego quando a licença acabou. Mas eu não havia preparado a minha casa tão bem quanto preparei minha cabeça. Ainda não tinha uma pessoa para ficar com ele enquanto eu trabalhava e minha funcionária, na primeira semana, teve que se desdobrar para dar conta do bebê e da casa.

    No primeiro dia, ao chegar para almoçar, vi minha família sentada à mesa. Todos, incluindo Gabriel, riam das gracinhas que o papai fazia. Preciso confessar: o primeiro sentimento que me veio foi um ciúme enorme. Ele havia passado a primeira manhã sem mim e estava feliz, gargalhando. Quem pode explicar esse sentimento? Se eu queria que ele estivesse sofrendo de saudade? Jamais! Mas eu também não estava preparada pra toda aquela “independência”. Afinal, até então, era pra mim que ele se arreganhava todo. Quem entende cabeça de mãe?

    Aos poucos, as coisas estão entrando nos eixos. Eu preciso destacar o quanto o papai tem sido fundamental nessa transição. Como é profissional liberal, ele está sempre mais disponível do que eu. Ele tem sido (agora, mais do que nunca), um companheiro incrível! Cumprindo com maestria seu papel para permitir que a mamãe aqui possa trabalhar sossegada.

    Com base na minha recente experiência (e nos erros que cometi), acho importante deixar algumas dicas para as mamães que estão prestes a voltar ao trabalho:

    - Prepare sua cabeça para a separação. Não é fácil, mas é possível voltar ao trabalho sem (muito) sofrimento. Se for preciso, busque ajuda profissional.

    - Prepare a rotina do bebê. Com 3 ou 4 meses muitos já dormem melhor à noite, o que ajuda a mamãe a estar mais descansada para encarar um dia inteiro de trabalho pela frente.

    - Prepare a alimentação do bebê. Fui instruída a começar a ordenhar meu leite e congelar uns 10 dias antes de voltar ao trabalho. Não obedeci porque achei que eu conseguiria, em um dia, tirar leite para o dia seguinte. Enganei-me e agora tenho que lançar mão de uma fórmula que, graças a Deus, ele aceitou bem. E como ele também já estava habituado à mamadeira desde as primeiras semanas de vida, não estou tendo problemas com a amamentação.

    - Prepare uma rede de colaboração. Quem vai ficar com o bebê enquanto você trabalha? E no caso dessa pessoa estar indisponível um dia ou outro, existe um plano B?

    - Prepare sua casa. Tente identificar possíveis focos de perigo na sua casa e faça as adaptações necessárias para minimizar todos os riscos.

    - Vá tranquila! No fim das contas, todos nós sobrevivemos. Como tudo na vida, esse retorno é apenas mais uma fase para a qual precisamos nos preparar.

     

    Carolina Ramos Valente, jornalista

     

     

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